Por Que Tenho Aftas na Boca com Frequência? A Relação com a Falta de Ácido Fólico

 Quem já passou por uma fase de aftas seguidas sabe o quanto isso incomoda no dia a dia. Aquela ferida pequena, mas que dói para comer, para falar, e às vezes até para escovar os dentes. E o mais frustrante é quando ela some e, poucas semanas depois, aparece outra em algum canto diferente da boca. Se isso soa familiar, talvez valha a pena olhar além da boca — e prestar atenção no que está (ou não está) no seu prato.

O ácido fólico, também chamado de vitamina B9 ou folato (em sua forma natural presente nos alimentos), tem um papel direto na renovação das células — incluindo as da mucosa que reveste o interior da boca. Quando esse nutriente está em falta, essa renovação fica mais lenta e menos eficiente, e é justamente aí que as aftas podem se tornar frequentes e demoradas para cicatrizar.

Neste artigo, vamos entender essa relação com calma: por que isso acontece, quais outros sinais costumam vir junto, o que pode estar causando essa deficiência e como agir de forma segura — sem cair em suplementação por conta própria. Se você quer entender melhor como o corpo absorve (ou deixa de absorver) os nutrientes que você consome, também vale a leitura sobre como saber se o corpo está absorvendo bem as vitaminas.

Fonte: (Acervo Pessoal/ Viva Vitaminas)

O Que é o Ácido Fólico e Por Que Ele Importa

Pense no ácido fólico como uma espécie de "matéria-prima" que o corpo usa para produzir células novas. Ele é uma vitamina do complexo B essencial para a formação e multiplicação celular, especialmente nos tecidos que se renovam mais rápido — como as células do sangue e a mucosa que reveste a boca e o intestino. Ele também participa da síntese de DNA e do metabolismo de aminoácidos, funções que, na prática, sustentam boa parte do que mantém o corpo funcionando bem por dentro.

É exatamente por participar desse processo de divisão celular que a falta desse nutriente afeta primeiro os tecidos que mais se renovam — e a mucosa bucal é um dos campeões nesse quesito. Quando a reposição dessas células fica comprometida, pequenas lesões demoram mais para cicatrizar e acabam surgindo com mais frequência do que o normal.

Vale lembrar também que o ácido fólico trabalha em parceria com a vitamina B12 na formação de glóbulos vermelhos. Não é raro que a deficiência de um venha acompanhada de sinais parecidos com a do outro — o que explica por que, muitas vezes, o cansaço aparece junto com as aftas.

Os Principais Sinais de Falta de Ácido Fólico

As aftas recorrentes costumam ser um dos sinais mais perceptíveis — afinal, é difícil ignorar uma ferida dolorida na boca. Mas raramente elas vêm sozinhas. Outros sinais que merecem atenção incluem:

  • Aftas frequentes ou que demoram mais que o normal para cicatrizar
  • Língua inflamada, avermelhada ou com sensação de ardência, às vezes descrita como uma "queimação" ao comer alimentos ácidos ou apimentados
  • Cansaço e fraqueza que persistem mesmo depois de uma boa noite de sono
  • Palidez, especialmente perceptível na pele e no interior das pálpebras — um sinal que também pode estar ligado a níveis baixos de ferro
  • Falta de ar ao subir escadas ou fazer esforços que antes não cansavam tanto
  • Dificuldade de concentração, como se o raciocínio estivesse mais lento
  • Irritabilidade sem um motivo claro por trás
Vale reforçar: esses sintomas, isolados, não significam automaticamente falta de ácido fólico. Estresse, imunidade baixa e deficiência de outras vitaminas — como B12 e ferro — também podem causar um quadro parecido. A única forma de saber com certeza é através de avaliação profissional, de preferência com exame de sangue específico.

Por Que a Deficiência de Ácido Fólico Acontece

Uma particularidade do ácido fólico é que o corpo não consegue armazenar grandes quantidades dele — diferente de outras vitaminas que ficam "guardadas" por mais tempo. Isso significa que a reposição diária pela alimentação é especialmente importante, e qualquer desequilíbrio na dieta tende a se refletir relativamente rápido nos níveis desse nutriente. Alguns fatores que aumentam o risco de deficiência:

  • Alimentação pobre em vegetais folhosos verde-escuros e leguminosas, que são as principais fontes naturais do nutriente
  • Consumo excessivo de álcool, que interfere tanto na absorção quanto no metabolismo do ácido fólico
  • Uso de determinados medicamentos, como alguns anticonvulsivantes e remédios usados no tratamento de doenças autoimunes
  • Gravidez, período em que a necessidade de ácido fólico aumenta de forma significativa — inclusive uma das poucas situações em que médicos costumam recomendar suplementação preventiva
  • Distúrbios intestinais, como doença celíaca ou doença de Crohn, que prejudicam a absorção de nutrientes de forma geral
  • Cozimento excessivo dos alimentos, já que o ácido fólico é sensível ao calor e boa parte dele se perde quando os vegetais são cozidos por muito tempo

Ácido Fólico e Aftas: O Que Diz a Ciência

Estudos relacionam a deficiência de ácido fólico — assim como de vitamina B12 e ferro — ao aparecimento de aftas recorrentes, especialmente em pessoas que apresentam esse sintoma de forma repetitiva ao longo do tempo, sem uma explicação clara vinda de traumas na boca ou outros fatores conhecidos.

Isso não quer dizer que toda afta seja causada por falta de nutrientes. Elas também surgem por estresse, alterações hormonais, pequenas lesões ao escovar os dentes com força ou até por fatores genéticos — algumas pessoas simplesmente têm mais tendência a desenvolvê-las. Mas quando as aftas se tornam um "hóspede fixo" na sua boca, aparecendo repetidas vezes e demorando para cicatrizar, vale a pena investigar se existe uma deficiência nutricional por trás disso.

Fonte: (Acervo Pessoal/ Viva Vitaminas)

Como Repor o Ácido Fólico pela Alimentação

A parte boa dessa história é que o ácido fólico está presente em diversos alimentos que provavelmente já fazem parte da sua rotina — ou que são fáceis de incluir nela. Priorizar essas fontes costuma ser suficiente para manter os níveis adequados na maioria dos casos:

  • Vegetais verde-escuros, como espinafre, couve e brócolis
  • Feijão, lentilha e grão-de-bico
  • Laranja e outras frutas cítricas
  • Abacate
  • Beterraba
  • Ovos
  • Amendoim e outras oleaginosas
  • Fígado, uma das fontes mais concentradas do nutriente

Uma dica prática: como o ácido fólico se perde facilmente com o calor, prefira métodos de cozimento mais rápidos, como refogar rapidamente ou cozinhar no vapor, em vez de ferver os vegetais por longos períodos. E sempre que possível, inclua uma porção crua no prato — uma salada simples de folhas verdes já ajuda bastante, desde que bem higienizadas antes do consumo.

Fonte: (Acervo Pessoal/ Viva Vitaminas)

Quando Considerar a Suplementação

A suplementação de ácido fólico costuma ser recomendada em situações bem específicas, como no planejamento da gravidez e durante a gestação, quando a demanda pelo nutriente aumenta consideravelmente e a alimentação sozinha, muitas vezes, não dá conta de suprir essa necessidade extra.

Fora desse contexto, o caminho mais seguro é buscar orientação de um médico ou nutricionista, especialmente após a confirmação de deficiência por exame de sangue. Tomar suplemento por conta própria, "só para garantir", não costuma trazer benefício adicional quando não há deficiência real — e, em alguns casos, pode até mascarar sintomas de deficiência de vitamina B12, dificultando um diagnóstico correto mais adiante. Se ainda tiver dúvidas sobre o assunto, também vale a leitura sobre se o multivitamínico realmente vale a pena e como interpretar o rótulo de um suplemento antes de comprar qualquer produto.

Mitos Comuns Sobre o Ácido Fólico

  • "Só grávidas precisam se preocupar com ácido fólico" — Esse é um dos mitos mais repetidos por aí. Na verdade, esse nutriente é importante para todo mundo, em qualquer fase da vida, já que participa da renovação celular do corpo inteiro — não só da formação do bebê durante a gestação.
  • "Toda afta na boca é falta de vitamina" — Nem sempre. Aftas ocasionais podem surgir por diversos motivos, de um trauma bobo ao escovar os dentes até um período de estresse mais intenso. A relação com deficiência nutricional fica mais provável quando elas se tornam frequentes e repetitivas.
  • "Ácido fólico e folato são a mesma coisa" — Tecnicamente não. O folato é a forma natural encontrada nos alimentos, enquanto o ácido fólico é a versão sintética usada em suplementos e alimentos fortificados. O corpo aproveita os dois, mas de formas ligeiramente diferentes.

Ácido Fólico Também Ajuda a Prevenir Aftas Recorrentes?

Além de corrigir uma deficiência já instalada, manter um consumo regular de ácido fólico ao longo do tempo pode ajudar a reduzir a frequência com que as aftas aparecem — principalmente em quem já tem histórico de deficiência nutricional. Isso acontece porque a mucosa bucal está entre os tecidos que mais dependem de uma boa renovação celular, e essa renovação só funciona bem quando o corpo tem os nutrientes necessários disponíveis de forma constante, e não apenas em momentos isolados.

Por isso, mais do que "tratar" uma afta que já apareceu, o mais importante é manter uma alimentação equilibrada ao longo das semanas, com boas fontes de ácido fólico presentes com regularidade — não só quando o sintoma já está incomodando.

Perguntas Frequentes Sobre Ácido Fólico

Aftas recorrentes sempre significam falta de ácido fólico? Não necessariamente. Aftas frequentes podem ter várias causas, incluindo deficiência de vitamina B12, ferro, estresse ou até fatores genéticos. O ideal é buscar avaliação profissional para identificar a causa específica no seu caso.

Em quanto tempo a alimentação faz efeito? Como as células da mucosa bucal se renovam rapidamente, uma alimentação mais rica em ácido fólico pode trazer melhora perceptível em algumas semanas — mas isso varia de pessoa para pessoa e depende de outros fatores de saúde envolvidos.

Existe exame para medir o ácido fólico no sangue? Sim, é possível dosar os níveis de folato através de um exame de sangue específico, solicitado por um médico quando há suspeita clínica de deficiência.

Homens também precisam se preocupar com ácido fólico? Sim. Apesar de o nutriente ser mais associado à gravidez, ele é essencial para a saúde celular de qualquer pessoa, independentemente do sexo ou da idade.

Posso tomar ácido fólico por conta própria? O ideal é evitar a automedicação. Além de não trazer benefício extra quando não há deficiência real, o uso sem orientação pode mascarar outros problemas de saúde, como a falta de vitamina B12.

Fonte: (Acervo Pessoal/ Viva Vitaminas)

Se as aftas têm aparecido com uma frequência que já incomoda, vale parar um momento e observar: elas vêm acompanhadas de cansaço, palidez ou outros sintomas parecidos? Há quanto tempo isso vem acontecendo? Esse tipo de detalhe faz diferença na conversa com um profissional de saúde, que pode pedir os exames certos para confirmar a causa e indicar o tratamento mais adequado para o seu caso — seja um ajuste na alimentação, seja uma suplementação orientada.

Conclusão

Aftas recorrentes na boca podem parecer só um incômodo passageiro, mas quando elas insistem em voltar, vale investigar se existe uma causa nutricional por trás — como a falta de ácido fólico. Ajustar a alimentação, priorizando vegetais folhosos, leguminosas e frutas cítricas, já é um passo importante nessa direção. Ainda assim, o acompanhamento profissional continua sendo o caminho mais seguro para confirmar o diagnóstico e descartar outras possíveis causas antes de tirar qualquer conclusão por conta própria.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico ou nutricionista.

 

 



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